23/04/2014

I.

Penumbra é o próprio medo. Como fos-
se não saber algo inteiro. Tiro no escuro, 
corte-seco. O que trigramas 
não comportam. Fiat lux. 

Fez-se, de que serviu?

Fé cega à moda cé-
tica. Põe-se a marca, mas
não se atina a
sanha.

II.

Luz refrata em linha reta. Cerne – o
que sério, em última instância, o
que ausente. Corpo etéreo fricciona em
pequenas operações. Tudo assim vem
não sei de onde, somando-se à
frequência fóssil, ao

batuque do corpo.

III.

Não há compromisso en-
tre o lar e o

longínquo.

IV.

Viemos, vimos. Vencer é
mais complicado, sujeito à
interpretação. Quando consentir
na abstração, numa a-
cepção hetedodo-
xa, que seja.

V.

Conluios, votos de boa fé. Não se vive
sem. Ferro de ter fé. História estelar do ferro.
Siderurgia – quando o profundo é o próprio a-
lém. Lenha na fogueira das
fissuras.

Tudo vermelho.

VI.

Vento que passa. Verificamos a
verificação. Somos sólidos em
nosso mineral. Corpo duro, al-
go mais. Como se fosse idílio.
Tudo sendo desde sempre. O
que na febre arredia.

Ardorosos, chegamos a a-
creditar que meros desencontros, acasos,
atrasos, imprevistos dos mais 
banais teriam sentido cósmico, 
no ensejo de provar-
nos.

Nero ou mero disparate.

VII.

De tudo quanto é transe terá mais
que um vigor. O esdrúxulo há de tornar-se
tema singular. Obliterados, deixaremos
passar o primal em

sua mais crassa
banalidade.

VIII.

Sim, tomaram precauções quanto a
certos tipos de perdulário. Muito embora.
Tramóias, trapaças, trecos, truques – o
que nos constitui.

Exacerbações semânticas.