21/06/2023

Que a vida destrate, maltrate, 

ainda assim dedicarei a ela servidão 

voluntária. 


Que o saber da benesse 

de estar no tempo não 

me abandone.


Não quero o voo impossível, 

prefiro juntar-me à revoada dos 

guaxos, quando passam, seguir 

com o bando, 


pelos ares. Mesmo que seja 

só imaginação. Mesmo que 

seja só.

 

Prefiro o encanto com o 

deslocamento incorpóreo dos 

xamãs. 


Acho melhor até mesmo

admirar os feitos da engenharia 

aeroespacial, ainda que não faça 

ode ao capital. 


Gozar de tudo que é 

também impuro chama-se 

viver. 


Gonzaguinha me 

entenderia.

09/06/2023

Café. O café, seu

aroma. A onda que 

dá.


Vou tomando mais e

mais um pouco, e

mais outra

 

xícara.

 

Aumenta a energia cinética.

Partículas zarpando, zunindo,

zoando a levada habitual

do sentir.

 

Ando cismado e daí

derivo. Ansiedade.

Mas há fé no meditar.

Respirar. É preciso

estar

 

aqui.

 

Respirar. Um calmante,

um excitante e um bocado

de gim. Ok. Cauby coube no

argumento. Mas calma,

é preciso

 

desligar.

 

Desatar para estar

aqui. Para estar junto. Que

a dança se dê. Cadente.

Quero você com

a gente. Fica.

 

Fiz um bolo. Vamos

tomar um chá. Vê como

se movimenta a fumaça

do cigarro?

 

Outro ritmo. 

08/06/2023

I.

Quero que me enxergue. Mas

o que haveria para enxergar? Haveria

algum acabamento na composição

de um todo?

 

Do meu todo suposto?

 

Quero que me enxergue. Mas

não sei nem mesmo se eu próprio

me enxergo. Fora os frágeis atributos

adquiridos na elaboração

dos dias, o que

 

restaria?

 

II.

Pode ser que, por não querer

ser visto de uma forma, e não lograr

ser visto de outra, tenha ficado no

semblante um traço

de indefinição.

 

Nem lá, nem cá.

Nem alhos, nem

bugalhos.

 

III.

Então que controle posso

pretender sobre como o outro

me enxerga? O que se vê

é uma quimera

 

multiforme.

 

Desse ângulo, sou isso.

Daquele outro, sou aquilo. E é

isso, não há soma

dos fatores.

 

Não haverá uma

coerência final e redentora.

Mas pode haver uma graça

em ser algo assim, que se

transmuta no movimento.


Caleidoscópio.