01/03/2020

Um penhasco onírico flutuando
no centro de uma ilha montanhosa.

Pés cândidos como lírios calcinados
no asfalto. Paredes de calcário que revestem
mistérios. Há muito tempo no tempo.

Pense em quarenta e quatro mil anos
e ali havia animais cercados por figuras
antropomórficas.

O que viria a ser o arrasto?
Mas acabou mesmo
sendo a

pólvora.

O calor que provém
de milhões de explosões
a milhões de quilômetros
daqui.

Dimensões i-
nalcançáveis
é o que não
falta.

Fazer tempo.

O estalo que supostamente leva ao
saber. Como supostamente se deu
com Padre Antônio Vieira.

O ar tomado por rangidos.
Fricções. Cigarras nascem sob
uma luz que extrapola.

As luas.
O mundo vem pela indefinição
do olfato. Vem também por uma
vontade que não cessa. Mais.

Mais. Até que não haja.

Pois então seguimos nessas
configurações absurdas. São obras
de arte. São mais ou menos
lícitas.

Fumando, espero  como diz o tango
que Lucía canta lindamente. Inalando
o que já foram queimas rituais.

Inalando substâncias que apresentam
tendência a mover-se além. Sigo dessa
maneira. Aterro aos poucos.

Compartilho a natureza de toda luz – 
que é mineral. Ouso incorporar sem muita
cerimônia tudo que já foi do sagrado.

Este, que se refere a essa pessoa
hipotética. Sempre hipotética.

O inefável me azucrina.

Nada a dizer. Prefiro não tecer loas reverentes
à exaustão. Das horas, no mais, tem sido
o fluxo.

Que seja inteiro.
Gaivotas sobrevoam avenidas.

Avenidas por onde cortejos
caminham sobre a
lama.

Há muita coisa antes disso.

O que é essencializar
alguma coisa?
O que é supôr
alguma

constância?

Tempos sobrepostos
contaminam relógios.

Impossível determinar
métricas infalíveis. Seguir tem 
sua própria loucura. 

Há implosões silenciosas 
por sobre as calçadas. 

Todas.