27/09/2012

Área militar

I.

Submeto-me ao captcha – ao tes-
te / és tu / um programa de computador –

prove que não.

II.

Oi nekroi – tem-se notícia dos des-
ditos / dos desvios de Gericinó / o Parque de / o
plúton – o

corpo intrusivo de rocha / ígnea / desde então –
ignominiosa / no domínio de Plutão / no
que o deus / os

desolados.

III.

Alíquota zero / al-
guma – a-
nulação / punctum – saber do movimento / o
fluxo / mas –

punctum / despem-se as retinas /
não se enxerga nada / e –

punctum – parece um batuque.

23/09/2012

Degredo

I.

Desencapado – o tanto que se tem a fiar / a
rotura / o fiar-se – Ariadne abandonada em Na-
xos / o fio – mas / a ruptura –

angina pectoris / quando a angústia – e /
se estrangula o peito – is-
quemia do mús-

culo cardíaco /

miocárdio.

II.

Então – instala-se o nódulo / o neurona /
o que também se chama –

neurose / impulso que não cede / o membro fantasma – e /
no entanto / a hidrólise proteica
produz cadaverina –

fede.

III.

Vivo pelos sepulcros / meu nome é legião – encons-
to-me em dois mil porcos / que –

sem caução / atiram-se pelo des-

filadeiro abaixo – ecce locus in quo habitamus /

horizonte de eventos – onde até mesmo a luz
é tragada.

IV.

O porvir / o
percurso de um dia – pan-
cadas isoladas à tarde / profere o Inpe – em 
que se dá o caos / a isonomia / 

o que também – como / o imprevisível atmosférico – 
força do vento / pressão barométrica.

V.

Pois – no que a impedância / a medida de im-
pedimento – itinerário em nada / luz colimada / o 

que sobra / além – das 
paralela de certos feixes – mas / 

os mapas foram traçados / nas 
costas dos bancos 
de ônibus

17/09/2012

A quinta vértebra torácica

I.

Ácido bu
tírico / a 
manteiga rançosa sobre / a – 
mesa branca / o

que é isso / en-

quanto – a 

pergunta retórica.

II.

Numen adest – e
deixe de se apoquentar / lembre-se –

lugar quente é na cama / tente 
não se amofinar / pois – fevereiro já chega /  
dá 

outras providências.

III.

O sensor de oxigênio / a son-

da lambda / a quantidade de – o ar em-
píreo / mas – 

àquela altura / a inversão se perpetrava / e 

nas missões curtas / remove-se o dióxido de
carbono / a reação é com hidróxido de

lítio / sunday morning is everyday.

IV.

Como se – abs-
cesso de eternidade em mim / como o
Kraken – o mar do norte / em –

seus riscos.

V.

O perdigoto era / farto – o
momento / em-
pedernido – nada que /

suponha sacarina. 

10/09/2012

Meditação

I.

Leseira baré / como au-

sência de culpa – quedar-se ao modo que o tempo /

a pausa.


II.


Cerrar os olhos

pra que o ta-
to – alheio ao cruzamen-
to / o Neberu – não apenas o

tem-

po se
dilate.

III.


A urbe / a cantilena ao longe – o orbe celeste / a

frequência fóssil / se in-
suficiente – o sinal / oitiva de
testemunhas –

executado o

primeiro ad-
quirente.

IV.


Quanto ao risco metabólico

presente em
projeções imaginárias – no que o anseio eletro-

magnético / estático.


V.


Pois – toda viga é homem em casa / amor /

só que em
chamadas furtivas –

mamilos que enrijecem sob a

sinapse ine-

quívoca.


VI.


Transversais / a face irada de Deus –

no que es-

quadrinho as

paralelas com o solo / sem lâmina / toda a
mixórdia diegética / die-

tética.

04/09/2012

Acústica

I.

A feição das coisas / sua quase acui-
dade – diga-se / à chancela do epitáfio / nem orago /

nem oráculo – trompas alhei-
as / as de falópio – tubas insistentes / indiferentes / como

lembrar o telefone dos que já
não / blackout sem noctilucas.

II.

Resta um fio de cabelo preso à barba – alvitre / ar-
bítrio / o quanto / o tanto de viscosidade / o que
se dá sem que se pas-

se pelo coeficiente Reynolds – uma vez que dip-
teros nos surpreendem / sobre a pele como em-

plas-
tro / nossas caixas de reverbera-
ção.

III.

Summum bonum – a emitir pseudópodes / foi cres-
par-se ao largo / tanto que a-

cabou eviscerado / a ação de evic-
ção / se houver má
fé.