Meu pobre coração, em frangalhos (adoro essa palavra). As lei da física, provavelmente imbuídas pelo mui afamado espírito alemão, negaram, sem possibilidade de recurso, a concessão de uma pequena, bem pequena mesmo, excepcionalidade nos seus ditames, permitindo (só uma vez, Einstein, por favor) que minha voz se propagasse algo além dos limites habituais. A essa altura, diante dos fatos expostos, acredito que já temos elementos suficientes pra concluir que estamos conversados. Au revoir, mon amour. Ela não gosta mais de mim. Eu não sei se gosto dela mesmo assim, ou mesmo assado. Na madrugada, a vitrola rolando um blues, só que não era blues, era Jorge Ben, Cinco Minutos. Haja tango argentino nessa hora fatídica (a tentação de um adjetivo a mais foi irresistível, embora quebre um pouco o ritmo da frase). Minha matéria é a própria vida, o que pode parecer uma frase bem pomposa, imponente, mas na verdade é uma dor de cabeça que não tem fim, acarreta uma série de dificuldades pra alguém que ainda não decidiu se acredita que há vida fora do sintoma. A sucessão das encruzilhadas dos talvezes (estranhamente no plural) fez com que as pessoas criassem uma forma de afeição por coisas como o Candy Crush. Nunca é como a gente pensa que seria, porque o clichê também tem seu valor. Como sabemos. Como, acredito, é consenso. Mas o que é essa coisa de consenso? Qual é a precariedade disso? Sem filosofia de boteco, Fernando. Segura sua onda. Foi quando me passou a vontade de encerrar o "poema". Melhor fazer isso logo, antes que acabe me enrolando com barroquismos. Queria encerrar com uma coisa, assim, tipo Augusto dos Anjos. Aceito sugestões, de todo os tipos. AVISO: essa é uma intervenção no real. Fazer análise mudou minha vida. Mas os meus cabelos, quanta diferença...