29/11/2012

Da bonança

I.

De todas as intempéries – a
poeira de aspectos / o que de pífio – in-
clusive / o que repugna as

papilas gustativas.

II.

Uma tempestade como as
de Júpiter / e – dá-lhe um disjuntor bifá-
sico / pois –

no que o tranco há-de habitar / renas-
ça / outros hábitos.

III.

Toda a tipografia do surta-
do é – miríade / um

nódulo em nada nosográ-
fico / baço / a

traduzir o fato afá-
sico em –

libação.

IV.

Em toda externalidade / o 
tanto que de truque – e / en-
tão o breque – a

violência de cravar os o-
lhos / o tempo encrespou-se in-
devidamente –

tudo agora é crispação.

V.

Púrpura escuro – o
faro feito almís-
car / amaro muito embora –

fora o que da bo-
ca emana / er-

rare / e – então o er-
mo a conduzir o er-

ro / erário.

VI.

Recôndito de uma quieta quime-
ra / o derrisório de escafeder-
se –

taiga pra lá / tundra – ou /
quiçá –

enantiodromia / o
sumo dos heróis.

VII.

Mas atém-se ainda assim à
gelosia / fasquias cruzadas no in-
tervalo – o que 

de soslaio engendra o ver /
não ver / e –

no estancar / tampouco tangencia / ou-
tro viés – o

lastro alheio.

22/11/2012

Reassemblage

I.

Seria toda uma turba / e – quan-
to ao espaço fantasmático / àquele que meneia – a-
quém da cabeça / tremendo –

o mysterium tremendum / e – nenhum escambo /
nenhuma escapatória –

são dramas eternos da alma.

II.

Deve-se ao devir solar – ex-
plosão inaudita / soa àquele que tornou-se é-
brio – da parte de forças ctônicas / e –

no que distende artelhos / trás o casebre do corpo / a
despencar penhascos –

rotos.

14/11/2012

Frequência

I.

No que estala  o que se resolve / en-
tremeio tecido por ovotestis / o 

crivo em traço parco – e /

nuvens passam diferente / o que /
se não sei – 

talvez.

II.

Abalo sísmico se dá no
gênio disso / o Djinn – dá-lhe Valium /
dez miligramas – o

drama dos
paralelogra-
mos.

III.

Tantos hertz / e – não transpor-
ta matéria / a onda a oscilar /
mas –

não o conto do vigário.

11/11/2012

Cara do mundo

I.

Espanto – um certo in-
put / o moto-contínuo / oi-
to em minha fren-

te  o voo do mosqui-
to / carapanã.

II.

Ao fundo – o mantra da má-
quina / o que – desde já / decal-
que / o que da bo-

ca pra fora.

III.

Se acossado / se co-
ça – a refração de fótons / desfile / qua-
se – o que só /

aquilo que gera justamen-
te o matiz / o que –

secundário.

IV.

O passo  conteúdo como in-
teiro / o que seria então es-
carpa  escárnio / ou 
quiçá /

a matéria globosa em seus
começos.

V.

Houve mesmo esse dia – a
goma e suas propriedades / toda aque-
la elucubra-
ção – mas / o e-

xosqueleto na ec-
dise – a-
deus /

au revoir.

07/11/2012

Dispersão

I.

O que  na proa / e que / 

se dedica / ao – es-

calafobético dos 

dias.

II.

O que – im-

provável / também ossos que – se
comunicam por / estalos – nos

abraços.

III.

Muamba  a / chalaça sem / 

troça – quando o desas-
trado / des-

provido de – quiçá es-
cafandro / a

boca na botija.

06/11/2012

Teoria do caos

I.

O que – da amígdala baso-
lateral / seu papel diferencial nas
respostas –

de medo inato.

II.

Dentes – e / se avolumam / na

grande angular – quasar ín-
timo / a
pulsar – o in-

definido.

III.

Nanômetros aden-
tro – o que
na goiva / e – deste o livro /

tratava da seta.

IV.

Trata-se do epitélio – a
cisão / sendo pâni-

co – ossos queimados / um
colosso / o

receptáculo.

05/11/2012

Navalha de Ockham


I.

Pro epílogo – 

quantas demãos de tin-
ta / a iminência par-
da –

palimpsesto.

II.

Dizei-me uma só
palavra – a
ventosa da lamprei-
a / 

que – na maré cheia / é – 
voraz.