Só o fato de a
vida ser inexoravelmente
pra frente –
só o gosto de usar essa
palavra –,
não sei, assusta.
Encanta.
Há um
equilíbrio muito delicado que
podemos,
talvez, desenvolver com a
imensidão.
Não imergir.
O mar, a
gente contempla, mas
quem sabe
prefira umidades mais
de cantos
suspeitamente
pouco
ensolarados.
Sim, eu sei
que é desaconselhado
usar muitas
vezes esse tipo de advérbio,
fica
cansativo. Mente, mente,
mente.
Quem mente?
Nem quem intenciona
fazê-lo
logra alcançá-lo. A vida sempre
revela que
somos nós parte de um roteiro
maior,
ou da
ausência desse.
Escreva sua
história, vai. Bom
esperar
sentado o retorno do
real.
Que delícia
a grandiloquência
aguada de
usarmos conceitos que
passamos
longe de compreender.
Amor. Eu te
amo. Quantos abismos
pode haver numa
declaração tão prosaica,
tão
pedestre.
Caminhar na
suspensão da mente.
Suspender o
caminho da mente. É só o que há,
o que é
tudo. Fico mudo,
contemplo.
O horizonte
é uma miragem,
sua retidão
escapa. Vale seguir
na busca?
Sei não.