31/10/2015

Como assim você não quer comprar nosso ópio?
Acredite, há operações que não se dão por escolha.
Escorrego e Garrincha dribla um, dribla dois.
Querido amigo e suas piadas duvidosas a vida toda.
Assim chegou a mim o futebol. Todo aquele afeto
desprovido de maiores consequências. Dopado.
Nem sempre é assim. Às vezes, ando dopado, meio gasto,
cansado. Querido amigo, me ampare. Quem não?
Transborda o outro. Transborda tudo. Cadê o norte?
Fica em algum lugar entre os seres rastejantes e nós.
E a vontade de inserir o i? É nóis? É mesmo? Aperte
minha mão. Bom, será que preciso desse tipo de
abordagem? A proliferação de interrogações já é
demais.

Ao que restar, sucesso. Já é.
Querendo alcançar o âmago,
será o conteúdo
algo mais que tédio?
Quedamos a ver navios
distantes, desbotados
no largo horizonte.
Como contar o que sinto
sem acabar monótono?
Tampouco incorrendo
em detalhes dispensáveis.
Confiar na beleza,
será o caminho?


Sim, a depender da espécie
de beleza que se trata.

O critério é difícil,
se é que existe algum.
Ah, sombra do cinismo!
O que é um bom gesto?
Terei esse direito?
O de praticá-lo?

Idade d' Ouro, tal qual Paraíso.
Onde encontrarei redutos de inércia?

Evoco Macunaíma,
ainda que sob a pecha –
indevida, acredite –
que lhe dão, de preguiça.