08/09/2013

Erotismo é onde, o que se diz, apolíneo e
dionisíaco, essa dicotomia se desfaz. Belo é também
simetria. A pulsão é cega – comer o belo. Devorá-
lo. Beleza ostenta a sacralidade dos daemons, potên-
cias da natureza, tendo dispensado o ha-
lo –

por vezes.

Quantos infernos ainda hei de pers-
crutar antes de perceber que
arquitetura acalma? Despedida an-
tecipa o dia do encontro – dada a
fatalidade. Frio seco não adentra os
corpos de maneira tão in-
cisiva.

Umidade é canal.

Quando só, estou só – quando os lábios 
secos. Não há negociação. Toda a eloquên-
cia enredada. Faces quase a engatilhar a
paranoiaVerbo que se demanda é
vão. Palavras ao ar, ain-
da a voz do

solitário.

05/09/2013

Imperativo íntimo, voz que se pode chamar,
por vezes, musa. Essa voz que se ouve, na verdade,
com a memória filogenética – será imaginação? Voz inaudita,
que tantas vezes passa por capricho, o
melhor deles.

Confabulo, então, os porquês da ação. Que fazer com a i-
maginação?

Não sou nada yuppie,
nem comuna.

Não me classificaria a-
teu, tampouco ortodoxo.
Não me enxergo exatamente conforme o que se espera de um
brasileiro. Não sei onde é que pega o tanto de portuga,
de árabe,
quiçá.

Sou tudo isso e mais, em série, até o ponto em que me torno o
inominável. Fernando, omitiria até o sobrenome.
Fernando, com a arbitrariedade desse nome,
escolhido por meus pais – tênue
carapaça.

Pois com todo star system, com todo gozo
da identidade, não se pode esquecer que a Madonna tem um irmão
mendigo. MDNA, era o nome do álbum. Euforia é tudo isso. Eu,
espectador privilegiado de meu próprio drama.
Terceira ou Quarta fila. Não ficar muito em cima.

Cuide do figurino você também, platéia!

É o avatar negativo do messianismo, isso. De que serve teu sonho?
Pode ser a blusa a desbotar, posso ser eu.
Por não poder permutar a mim,
compro outra blusa. Sonho não serve. Vou,
talvez em voo – sem cabos
de aço.

Tampouco nervos.