27/06/2014

Incêndio subterrâneo em Centralia. Cidade que já não. Tubos que exalam. Calor das entranhas. Carvão sublimado – sobe. Devir mineral. Pero Nero geológico. Como se o pênis do sol. Explosões de plasma. Minas fulgurantes. Partir. Pra onde? Possibilidade de possibilidades. Imune – indiferença axial do dia que nasce. Noite betume. Sem código postal. Tubos que exalam. O que foi matéria orgânica. Miasma distante. O que retorna. Infortúnio de alguns. Aleksei Stajanov extrai mais de cem toneladas de carvão numa só jornada. Torna-se doutrina. Torna-se herói nacional. El súper masculino. Três e não quatro. Diz-se do imperador transex que afogou convivas em pétalas. Natureza é primeira pessoa. Elementar. Tudo o que aspira. Astrônomos procuram por água no infinito. Água – receptáculo de vida. Águas calmas ou revoltas. Águas nos espelham. Águas nos sufocam. Alguns répteis caminham sobre. Nós não. Incapazes. Não podemos. Depois da tempestade. Submergimos. Imergimos. Poderíamos caminhar sobre as águas se o fizéssemos a pouco mais do que cem quilômetros por hora. Não podemos. Incapazes. Teria uma tempestade salvado Centralia? Sentido tem que instituir-se. Ir-se embora. Boa hora. Horoskopos. Catálogo nababesco de contratempos e catástrofes. Catexia da libido. Em seu templo. Cláusula pétrea. Polifonia das vontades. Mandalas. Musas são singularidades desencadeadas por modulações ambientais. Marca d'água – agora. Se Marte fosse um pouco maior. Da série – já não era sem tempo. Antes tarde do que nunca. Banal. Saccharomyces fermenta o pão. Saccharomyces constrói o cristianismo. Na morte se perde o eterno. Mil braços – tudo alcança. Feixe. Foco. Monstros emergem da lisura dos mares. Repente. Há sempre o dialógico. Kraken. Leviatã. Dois gumes. Sustentar o tranchã. Escuridão conduz ao sono. Entregue aos psicopompos. Difusos. Feixes de luz. Relâmpago. Raio atinge o Vaticano à renúncia do Papa. Tremei.

12/06/2014

Sorvia, era meu. Conjunções são in-
capazes de solver séries caóticas. Que se dão.
Como pandemia que atravessa fronteiras sem
reconhecer guaritas. Metonímia alguma bas-
taria para nomear o es-
panto frente à morte – súbita. Ou
nem tanto. Foram lançados às urtigas. Re-
ceberam trato de polé. Encenaram nau-
maquias com mais de três mil barcos. Havia
corpos nus, enviesados, sincrônicos. Mas o
corpo de polícia. Mas o
corpo des-
troncado se dá por
trocados – tits for tips. Meta-
nóia. Pensar além. Não lugar. To-
da uma escatologia. Desacato.
Corpos coletivos que engendram sin-
fonias de alarmes – mil. Composição in-
cidental de vestígios sonoros emitidos por vizinhos –
mil. Berro. Berro é inserção territorial, dilatar o es-
copo do corpo, comoção cortante, crescer. Ar-
regalar os olhos, ostentar o branco dos olhos, a-
firmar-se. Corpo, usina que se esgota, sina do epi-
táfio, viver mata. Espavento e zás. Mudos. Pan-
tomima é o que nos resta – não temos prática.
Desnutridos, exangues, expelimos o que ainda.
Ainda. Espanto. Vento. Nuvens que se assemelham a
tecidos animais. 
Saímos da vila em vilegiatura e 
voltamos pra vila – sem mais. Como verdadeiros 
bufarinheiros em 
desbum, repassamos bu-
gigangas de toda sorte, toda espécie. Brincos 
forjados com os restos empilhados de 
Purpura haemostona, molúsco do qual 
se extrai a púrpura a partir de uma
secreção branca que 
se deixa ao sol. Calor.
Com o estio acabamos por es-
boroar, pul-
verizarmo-
nos. Não.
Cinco noites passarei sem
dormir. Sonho há de
tomar de vez os
lapsos da a-
tenção. Não.
Antes me
candidatar à a-
nimação sus-
pensa. Poesia não é ver-
bo, tampouco substância. Olhos
soltos nas órbitas não decidem em que 
focar. Estrela d'alva. Considerar. Estrela d'alva
não é estrela. Estou no Rio de Janeiro, que
não é rio. Céu cruento. Entremeio das
vontades. Batem palma sobre as anfractuosidades
amenas do areal. Não sou nenhuma virgem vestal.
Sei que ondas de choque apagam incêndios. Efêmero.
Cobras superaquecidas devoram a si
mesmas. Oroboro é a
morte. Infinito é o
fim.

Mão que escreve, eu
corto. Sangue não há de correr dos
coágulos des-
localiza-
dos.