Desconheço o turvo dos
meus olhos quando a-
cinte. Acerto o passo, lá
pra cá, no susposto palco
do mundo, teatro de
sombras. Matemática inventa um
sinal para o que se
aproxima, também inventa o zero.
Cientistas inventam o
tubo de raios catódicos,
luz fria, onde se
dispunha um forno. Tipo estranho
de meditação, nos
anulamos nele. Mas
invento um som, um jeito.
Ave tela aberta, conce-
da-me o esquecimento. Eis
a omoplata ossuda a
sustentar o plexo. Corpo
dilatado, à revelia de
qualquer propriedade
específica do barro.
Sinapse como ápice da
diferença de velocidades.
Estalos, assim como
vagalumes, no vai e vem.
Pois há desdobramentos
infinitos para o mais sutil dos
signos.
Narrativa é tique, à beira sempre de tornar-
se
autômata, quando escala de
cinza. Cegueira
Branca. Atmosfera é mundo sem teto.
Atma é sopro vital.
Branca. Atmosfera é mundo sem teto.
Atma é sopro vital.
Blue.
Azul.
Tudo o que tenho pra
fazer com meu tempo.
Certa melancolia nisso.
Doce vertigem de estar ao
léu no espaço. Desvio
para o vermelho.
Vertigem das coisas.
Desvio para o vermelho,
indício de que os corpos
se afastam. Ventre que nasce.
Voz, foz do orgânico.
Certa melancolia.