12/10/2013

Desconheço o turvo dos meus olhos quando a-
cinte. Acerto o passo, lá pra cá, no susposto palco
do mundo, teatro de sombras. Matemática inventa um
sinal para o que se aproxima, também inventa o zero.
Cientistas inventam o tubo de raios catódicos,
luz fria, onde se dispunha um forno. Tipo estranho
de meditação, nos anulamos nele. Mas
invento um som, um jeito. Ave tela aberta, conce-
da-me o esquecimento. Eis a omoplata ossuda a
sustentar o plexo. Corpo dilatado, à revelia de
qualquer propriedade específica do barro.
Sinapse como ápice da diferença de velocidades.
Estalos, assim como vagalumes, no vai e vem.
Pois há desdobramentos infinitos para o mais sutil dos
signos. Narrativa é tique, à beira sempre de tornar-
se autômata, quando escala de cinza. Cegueira 
Branca. Atmosfera é mundo sem teto. 
Atma é sopro vital.

Blue.
Azul.

Tudo o que tenho pra fazer com meu tempo.
Certa melancolia nisso. Doce vertigem de estar ao
léu no espaço. Desvio para o vermelho.
Vertigem das coisas. Desvio para o vermelho,
indício de que os corpos se afastam. Ventre que nasce.
Voz, foz do orgânico.

Certa melancolia.