Mas será que é só assim pra escrever? Todas essas situações. Sua sina, seu dom — como dizem. Mas será que o ridículo desse personagem que se lamenta e sofre e compadece consigo mesmo não tem fim? Se você tiver um cigarro, você não vai fumar? Se você tiver um amor, você não vai gozá-lo? Mas é verdade, antes seja o México del Dia de los muertos — todas as inúmeras vidas virtualizadas. Mil bifurcações. E aqui estou, a evocar ainda outra vez a reta no poema. Quantas vezes ainda assistir ao pôr-do-sol, em todos seus tons vermelhos e amarelos? Não há mais que se questionar o desapego. Que a lua se vá logo de uma vez. Ela de fato tá indo. Não há mais que se questionar mesmo o desapego mais caricaturalmente cínico. Veredas são veredas, que são veredas. E tem-se em conta o valor flutuante de minhas ações/canções. Mas será que é só assim mesmo? Vou lá pra ver, e vou de novo — indefinidamente. Mas ainda assim imaginamos saber alguma coisa sobre os limites do porvir, tão verdes ainda. Também não há que se abster de tudo. Envolver-se em novelos lustrosos, porque a vida é em suspenso. Já a narrativa, é o que escapa. E fez-se, dessa maneira, o espanto. E quantas ênclises pode-se usar num texto? Quantas interrogações? Os recursos são ao mesmo tempo escassos e abundantes. Nada se define no instante do querer. A narrativa escapa. Escapei. Agora, estou no ar. Não estou. Ruído branco. Agora, estou no ar. O chão, que representa aquilo que representa, isso talvez ao longo de séculos, aproxima-se em altíssima velocidade. Aquela história, que repetem os doutos ou doidos. O real sempre volta.