18/04/2026

Uma abertura quase que total. Não 
fosse o que é. Não fosse. Mas há a sensação 
de. 

Condicionado pelo que condiciona, mas 
total. Com esse sentimento. 

Angústia faz parte também. Excitação. Medo. 
O que os  abismáticos chamam 
vertigem. 

Inventar é impositivo, não se trata de 
capricho. Agora é contigo. 

Uau.

05/04/2026

 A vida adulta e seus desencantos, em 

tempos de ghosting e mindset. Mas vamos 

fazer um dengo, deixa eu te dar 

cafuné. 


Aí aos poucos, talvez de modo in-

termitente, haja algum brilho. Não os 

fantasmas que contaminam o lago 

do pensar, 


que turvam o reflexo de tudo

em tudo, a conexão. Porque tudo

dança. A música é da

natureza.   


Se perdemos isso de vista, o 

resultado é uma bagunça absoluta, 

uma gangorra, muvuca 

de afetos. 


Mas há o mar. 


O amar há de vez em 

quando. Vaivém, num movimento 

pendular. Porque a dualidade é um 

dos aspectos.     

30/03/2026

Um berro que suprime a 
paz. Berro silencioso, 
muitas vezes. 

Da palavra negada. Da 
palavra estereotipada 
do poder. 

Onde nem sempre o que é 
do Direito é 
direito. 

Onde o capital é 
tratado como uma 
deidade. 

Ter raiva é tão inevitável 
quanto pernicioso. Porque o 
poder tem meios 
insidiosos de 
agir. 

Dissimula o cinismo em 
razoabilidade. Cria um abismo 
interior. 

Não tem consideração pelo a-
mor, nem pela idade da 
Terra. 

Não bota o pé 
na terra.  

29/03/2026

I.
Há um acordo que se dá 
numa conformação 
inquieta. 

Acontece de não haver 
sossego algum, enquanto está 
provado que poderia 
haver. 

As evidências são 
fartas, mas evitemos 
pieguices. 

II.
Chega. Agora é 
o fado, a dor. Que 
vai para lugar nenhum. 

Que para lugar nenhum 
vai. Só em 
círculos. 

III.
Mas assim não pode ser, porque
foi combinado que haveria 
vida. 

Como disse Conceição, a 
gente combinamos de não 
morrer.
 
Mas aí já são outros 
quinhentos. Outro grau 
de evolução. 

IV.
Ou haveria uma 
natureza luminosa 
por toda parte. 

Justo a que aponta
Conceição. 

V.
Para notá-la, é preciso 
cessar a tagarelice. 

É necessário observar com 
atenção. Foca.
Respira.

30/10/2025

Pele alva, pele alvo.

De tempos em tempos, um

banho de sangue.

 

De sangue. Ninguém mais pode ser

salvo. Cidade macabra, mata por

matar.

 

Pele alva, pele al-

vo. Que gente é essa, meu Deus.

Ou melhor, que Deus é es-

se.

 

Sangue não pode lavar.

Sangue só faz sujar mais.

 

Espere a vingança. A

vingança da vingança. As-

sim segue a vi-

da.

 

Assim cessa a vida.

 

Sangue não pode lavar. É

com água que se 

lava, es-


cadarias da Penha.

Com água.

03/08/2025

Mil vezes fracassado, derrotado, 
aniquilado pelas circunstâncias. Mil e uma 
vezes redimido pelo tempo que ainda 
passa. 

O tempo que proporciona o 
substrato mais 

imprescindível. 

Que eu seja derrotado, a planta ainda há 
de brotar, e mesmo quando nenhuma planta 
puder brotar, ainda haverá a dança 
dos corpos 

celestes. 

Todas as colocações categóricas são 
precárias e se querem 
perenes, as pobres 
coitadas. 

Sentidos são seres mutantes. Não 
há esteio, não há lastro – há 
fluxo. 

Pro bem e pro mal.  

30/01/2025

Pessoas normais, pra-
ticando atividades normais.

Nem sei mais em que medida a
vida se dá nos interstícios do
saber.

Tudo a céu aberto, mas
eu queria mesmo era acreditar em
ovnis. Ou
não.

E.T. e todos os santos, valei-
nos, livrai-nos desse tempo es-
curo.

Melhor: que um reggae
de Gil nos salve, nos
revele o vil desencanto do
prosaico.

Ou nos reconcilie com o
mosaico de mistério e familia-
ridade que compõe os
dias.

Cada um com seu
barato.


29/01/2025

Só o fato de a vida ser inexoravelmente

pra frente – só o gosto de usar essa

palavra –, não sei, assusta.

 

Encanta.

 

Há um equilíbrio muito delicado que

podemos, talvez, desenvolver com a

imensidão. Não imergir.

 

O mar, a gente contempla, mas

quem sabe prefira umidades mais

de cantos suspeitamente

pouco

 

ensolarados.

 

Sim, eu sei que é desaconselhado

usar muitas vezes esse tipo de advérbio,

fica cansativo. Mente, mente,

 

mente.

 

Quem mente? Nem quem intenciona

fazê-lo logra alcançá-lo. A vida sempre

revela que somos nós parte de um roteiro

maior,

 

ou da ausência desse.

 

Escreva sua história, vai. Bom

esperar sentado o retorno do

real.

 

Que delícia a grandiloquência

aguada de usarmos conceitos que

passamos longe de compreender.

 

Amor. Eu te amo. Quantos abismos

pode haver numa declaração tão prosaica,

tão pedestre.

 

Caminhar na suspensão da mente.

Suspender o caminho da mente. É só o que há,

o que é tudo. Fico mudo,

 

contemplo.

 

O horizonte é uma miragem,

sua retidão escapa. Vale seguir

na busca?

 

Sei não.  

25/10/2023

Nas sombras, na encolha, silen-

ciosamente constituído. Quando menos

se percebe, são suas próprias mãos

a esganá-lo.

 

O poder. Medo transmitido

mundo afora. O segredo que ser

quer mal guardado – não

estamos seguros.

 

A terra é de quem pode – ou

explode. Metástase maléfica. A

cobra se alimentando de si

mesma. Dis-

 

sídio. Divergência. Maniqueís-

mo plasmado no prefixo

renitente. Fazer dois é

forçar um – nesse

 

caso. Que o outro desapareça.

Mas somos todos o outro do ou-

tro. Tumor que se es-

praia.

 

Primeiro, o quintal. Depois, a

sala. Como se fosse

história de Cor-

tázar.

 

Logo chega ao

quarto –

 

coração.

 

Que pulsa.

Pulsa.


26/09/2023

Era tudo o dia-a-dia. Quem não 

sentiu a leve carga elétrica do planeta, ao 

plantar o pé no chão, perdeu-se 

no rame-rame. 


Havia alguma previsibilidade, 

alguma forma de sincronizarmos nossa 

respiração. Não deixa de haver 

caminhos. 


Mas titubeamos com certa regularidade, nos 

aturdimos com o sexo dos anjos e com o pelo no 

ovo. É espantoso que só então pudemos 

concluir que o amor deve ser 

maior, cósmico, infinito. 


Tudo estava ali, como 

sempre esteve, como 

está a-


qui.


Mas conteúdos alienígenas se in-

filtraram entre nós. Loas às ins-

tituições. Boas festas, nada 

mais.


Sim, teve até cerimônia oficial

deferência, aparato. Só não

contávamos com a 

hipótese de que

fosse tudo 

forjado 

por


razões. Pasmem, razões. Seria 

redundante  qualificá-las como 

questionáveis. Razões. Tão dóceis 

que tudo legitimam. Tão duras 

que decretam o 


não.


Mas o desejo resiste. Que a a-

tenção também esteja nos interstí-

cios que revelam haver muito 

mais do que imaginamos 

no desfile tragi-

cômico 

dos 


dias. 


Que os gestos as-

pirem à 


poesia


Tudo se 

cria.