29/01/2025

Só o fato de a vida ser inexoravelmente

pra frente – só o gosto de usar essa

palavra –, não sei, assusta.

 

Encanta.

 

Há um equilíbrio muito delicado que

podemos, talvez, desenvolver com a

imensidão. Não imergir.

 

O mar, a gente contempla, mas

quem sabe prefira umidades mais

de cantos suspeitamente

pouco

 

ensolarados.

 

Sim, eu sei que é desaconselhado

usar muitas vezes esse tipo de advérbio,

fica cansativo. Mente, mente,

 

mente.

 

Quem mente? Nem quem intenciona

fazê-lo logra alcançá-lo. A vida sempre

revela que somos nós parte de um roteiro

maior,

 

ou da ausência desse.

 

Escreva sua história, vai. Bom

esperar sentado o retorno do

real.

 

Que delícia a grandiloquência

aguada de usarmos conceitos que

passamos longe de compreender.

 

Amor. Eu te amo. Quantos abismos

pode haver numa declaração tão prosaica,

tão pedestre.

 

Caminhar na suspensão da mente.

Suspender o caminho da mente. É só o que há,

o que é tudo. Fico mudo,

 

contemplo.

 

O horizonte é uma miragem,

sua retidão escapa. Vale seguir

na busca?

 

Sei não.