I.
Quero que me enxergue. Mas
o que haveria para enxergar? Haveria
algum acabamento na composição
de um todo?
Do meu todo suposto?
Quero que me enxergue. Mas
não sei nem mesmo se eu próprio
me enxergo. Fora os frágeis
atributos
adquiridos na elaboração
dos dias, o que
restaria?
Pode ser que, por não querer
ser visto de uma forma, e não lograr
ser visto de outra, tenha ficado no
semblante um traço
de indefinição.
Nem lá, nem cá.
Nem alhos, nem
bugalhos.
III.
Então que controle posso
pretender sobre como o outro
me enxerga? O que se vê
é uma quimera
multiforme.
Desse ângulo, sou isso.
Daquele outro, sou aquilo. E é
isso, não há soma
dos fatores.
Não haverá uma
coerência final e redentora.
Mas pode haver uma graça
em ser algo assim, que se
transmuta no movimento.
Caleidoscópio.