08/06/2023

I.

Quero que me enxergue. Mas

o que haveria para enxergar? Haveria

algum acabamento na composição

de um todo?

 

Do meu todo suposto?

 

Quero que me enxergue. Mas

não sei nem mesmo se eu próprio

me enxergo. Fora os frágeis atributos

adquiridos na elaboração

dos dias, o que

 

restaria?

 

II.

Pode ser que, por não querer

ser visto de uma forma, e não lograr

ser visto de outra, tenha ficado no

semblante um traço

de indefinição.

 

Nem lá, nem cá.

Nem alhos, nem

bugalhos.

 

III.

Então que controle posso

pretender sobre como o outro

me enxerga? O que se vê

é uma quimera

 

multiforme.

 

Desse ângulo, sou isso.

Daquele outro, sou aquilo. E é

isso, não há soma

dos fatores.

 

Não haverá uma

coerência final e redentora.

Mas pode haver uma graça

em ser algo assim, que se

transmuta no movimento.


Caleidoscópio.