25/01/2017

I.

Palavra como antimatéria – a que prolifera seu fim.

É de conhecimento geral que, sim, eu digo sim, algo se cria –
ouvi falar que o hidrogênio, não sei. Bota bonito nisso, babe.
Mas silenciaram a candura daqueles prolegômenos tardios.
Bota boneco. A vida toda, liturgia das horas.

A vida segue, não – a vontade de que a frase estanque
nesse ponto. A vida segue, não diante dos meus olhos,
nem por trás. Tem o jornal, a novela e a
morte. Tem essa novela, aquela outra e a
morte. A vontade – o

substantivo mesmo.

II.

Reminiscências bastante indefinidas perderiam a aptidão de
pulular em um contexto tão estritamente tomado na a-
cepção mais pura. Clica. Clica. Clica. É o que te dão de
melhor, até que a LER nos salve.

Frases de efeito, a dignidade que têm, o charme, nada disso
importa, são sombras de outros tempos. Palavra como antimatéria,
ou melhor, como antimatéria e matéria em sua dança fatal.

III.

Quem descobre a melodia? I see trees of green, red roses too.
Não, não, nada disso. Quem dera, talvez. Talvez.

Toda a potência que tem esse lugar onde se dá a vida. Se não –
a vontade de que a frase estanque nesse ponto. Se não fossem as
contradições, não sei. Se não fossem as contradições,
estaríamos perdidos. Estaríamos –
e toda representação possível

do riso.