Estou a um passo do con-
ceito. Momento. Quando es-
capa a própria pos-
sibilidade de
tradução.
Resolvo então ou-
vir música, enquanto o ar-
co e a corda não se afas-
tam – se não fis-
sura, façanha. Cri-
var intervalos.
O plano é simples. Suspen-
der provisoriamente a
vertigem de existir. Tudo
são
saberes de outro mundo – o
que se passa do lado de lá
da janela. Um
portal. Só sei da chuva
pelo
cheiro, certa umidade.
Na fruição de acordes e
ar-
pejos, ser um pouco mais
do tempo. Ser um pouco
menos.
Sob a marca perene, viver
–
das mais banais mani-
festações do
mistério. Viver –
entre o mínimo
existencial e a
reserva do
possível.
Hei de velar o que já
foi e o que ainda
resta faltar.