24/05/2023

Estou a um passo do con-

ceito. Momento. Quando es-

capa a própria pos-

sibilidade de

tradução.

 

Resolvo então ou-

vir música, enquanto o ar-

co e a corda não se afas-

tam – se não fis-

sura, façanha. Cri-

var intervalos.

 

O plano é simples. Suspen-

der provisoriamente a

vertigem de existir. Tudo são

saberes de outro mundo – o

que se passa do lado de lá

da janela. Um

 

portal. Só sei da chuva pelo

cheiro, certa umidade.

Na fruição de acordes e ar-

pejos, ser um pouco mais

do tempo. Ser um pouco

menos.

 

Sob a marca perene, viver –

das mais banais mani-

festações do

 

mistério. Viver –

entre o mínimo

existencial e a

reserva do

 

possível.

 

Hei de velar o que já

foi e o que ainda

resta faltar.