12/11/2020

 Por alguns instantes, não quero que 

meçam. O desconhecido não costuma 

negar nada. Porque o estranhamento é das 

relações mais ternas. Ou pode ser. Mas 

também pode es-

capar. 


Entenda. Não entenda. 


O que se vê, nunca será o 

que é visto. Por exemplo. Repare. 

Todo serelepe. Aparentemente, 

numa situação favorável. A 

própria imagem da 

bonança, diria. 



Isso quando plasmado numa foto. Mas 

será que ele está ali? Não há em-

plastro. Felicidade é 

sobrepreço. Ga-

na.



A gente não precisa ir ao 

fundo. Blá. Três tigres tristes. Sete 

glândulas endócrinas. La passion. La 

passion. Mas a lua azul não é a-

zul – e ainda pode ocultar-

se por sobre as 


nuvens. 


Tempestade. Quando o céu, 

iracundo, enxágua a terra. Aliás, 

antes de ser mãe, a terra foi as-

sexuada. Ser mais, sendo 


menos. 


Por que não há sujeito. Somos um 

belíssimo mecanismo. Mas 

quem sou? 



Quando o sol levanta, meu nome é 

barbárie. Na vida, você tem que ser 

diferente. Ser deferente. Solução pro 

mistério é que não 


há. 


Imperativos, há 

aos montes. O que não lhe 

disseram é como reconhecer o 

que falta. Como situar-se 

no 


presente. 


Certamente, há al-

go além. Tic-tac é só uma 

das organizações possíveis. Mas 

o que é isso? Corte. Outra cena. 

A questão ficou 


no ar. 


Uma reticência ir-

remediável. Mas a potência 

trágica me anima. Realiza a i-

minência do salto e a 

possibilidade da 

queda. 


Movimento. Sigo, er-

rante, como quem 

deseja. Eros faz de 

todos 


poetas.