I.
Bom disso é que en-
quanto a voz interna, voz íntima da leitura, no
que
suspensão, segue sem se dar conta que o
devaneio vai,
na parelela, fica nada. É música que se confunde
com o som da Urbe. Quando bastaria o toque
para o jorro – se dar. Te vejo
antes que o gozo nos
cerre os olhos.
Tempo é o que ex-
cede, também o que é
sede, o
que vai, i-
nexorável.
II.
Quis ser discreto, pé ante pé.
Tentei até passar despercebido, i-
napreendido. Estalando, meus calcanhares
me denunciavam. Pensei na musicalidade
própria do deserto. Há poucos elemen-
tos no entorno. Dificuldade está em
compor o que parece a dança da umidade,
miragem. Quando não, o
foco a oscilar, o
que tornava sua visão
sôfrega.
III.
A musicalidade própria do deserto
tem poucas vozes. Há mesmo
poucas vozes no en-
torno –
como disse. É um naturalismo vão, não
fossem os pequenos ciclones que levantam suas
areias, como se por querer, como se vontade. Há o
que,
tendo sido,
é. Onde, não se sabe. Mindscapes.
IV.
Mal paridos partem pra onde
só o vento. Solitários perambulam –
onde não.
Tela de computador é
não lugar,
feixe.
V.
No escuro de meu quarto, a presença daquela tela se
destaca, luminosa. Não consigo distinguir o que
vem por trás dela,
seres virtualizados pela sombra.
O digital tem sua maneira particular de causar distorções
visuais, pequenas fissuras, o
craquelado específico do
pixel.
Não consigo distinguir o que vem por trás da tela.
Uma fração polpuda de acontecimentos
se mantém ali, apartada,
nesse campo do excedente.
VI.
Tempo é o que excede. Também o que é
sede, o que vai, i-
nexorável. Mas não é que vá para um
lugar específico.
Há sempre possibilidade
na iminência do esforço. Que seja inútil,
tempo discorrido em nada,
como se houvesse nisso a proposição da passagem.
Reiteração, passagem tautológica, a
que passa, e
só.